quarta-feira, 27 de abril de 2011

TEXTO: Os porquês do porquinho

Os porquês do porquinho Aconteceu na Grécia! Era uma vez um jovem porquinho, belo e bom, muito pequenino, cuja vida foi dedicada à procura dos porquês da floresta. Tal porquinho, incansável em sua busca, passava o dia percorrendo matas, cavernas e savanas perguntando aos bichos e aos insetos que encontrava pelo caminho todos os tipos de porquês que lhes viessem à cabeça. - Por que você tem listras pretas se os cavalos não as têm ? - perguntava gentilmente o porquinho às zebras. - Pernas compridas por quê, se outros pássaros não as têm? - indagava às siriemas, de forma perspicaz. - Por que isso? Por que aquilo? Era um festival de porquês, dia após dia, ano após ano, sem que ele encontrasse respostas adequadas aos seus questionamentos de porquinho. Por exemplo, sempre que se deparava com uma abelha trabalhando arduamente, ele perguntava por quê. E a pergunta era sempre a mesma: - Saberias, por acaso, por que fazes o mel, oh querida abelhinha? E a abelha, com seus conhecimentos de abelha, sempre respondia assim ao porquê: - Fabrico o mel porque tenho que alimentar a colméia. Mas a resposta das abelhas não o satisfazia, porque eram os ursos os maiores beneficiados com aquela atividade. - Alguma coisa deve estar muito errada, porque eram os ursões que ficavam com quase todo o mel, sem ter produzido um pingo.- pensava o porquinho. Então, valente como os porquinhos de sua época, seguia pela floresta à procura de ursões, fortes e poderosos, ansioso por que eles soubessem a resposta. Quando encontrava um, perguntava: - Senhor, grande e esperto ursão, poderias me dizer a razão e solucionar o porquê da questão? E alguns ursos, mais exibidos, até tentavam responder, porque de mel eles entendiam muito, mas sobre trabalho... as respostas eram sempre do senso comum de ursão e não resolviam a questão. - Elas fabricam o mel porque ele é muito gostoso. – diziam uns. - Elas o fabricam porque o mel é delicioso. – diziam outros. Havia aqueles que se limitavam a olhar feio e, ainda, aqueles que até ameaçavam o pobre porquinho e iam embora, sem dizer por quê. Apesar disso, o porquinho seguia em frente. Um dia - porque toda história têm um dia especial - o porquinho encontrou um oráculo em seu caminho e resolveu elaborar o seu mais profundo porquê. Afinal, oráculo é para essas coisas. Então, ele perguntou com sua voz fininha, mas de modo firme e sonoro - Por que existo? Houve um profundo silêncio na floresta e o porquinho pensou que aquele porquê nunca seria respondido, afinal. Mas de repente, o oráculo falou, estrondosamente, porque era oráculo. - Procure o Sr. Leão, rei da floresta, e pergunte a ele por que você existe. Só ele lhe dará uma resposta adequada. Então, feliz, animado e saltitante, lá se foi o porquinho à casa do grande e sábio rei da floresta, carregando o seu também grande e sábio porquê. Ao chegar à casa do leão, o porquinho bateu à porta e, quando foi atendido por sua realeza, tratou logo de lascar o seu porquê mais precioso: - Sr. Leão, rei dos reis, sábio dos sábios, poderia Vossa Alteza me dizer por que existo? E o leão, porque era leão, respondeu mais que depressa. Nhac. Porque é o da história! Fim Clóvis Sanches

domingo, 24 de abril de 2011

PROJETO MORADIA - 6º ANO A - 2011

1) Poema. 2) Atividades de análise do texto, chamando atenção para a semelhança entre as palavras, rimas, letras maiúsculas e pontuação, conforme o nível de aprendizagem em que se encontram os alunos. 3) Relatos sobre as experiências dos alunos quanto ao assunto do texto. Alguns alunos poderão contar sobre a casa de sua avó, tia ou qualquer parente ou pessoa querida, localização, características dessa casa, o que mais gosta nela, etc. ......... 4) Produção de outras quadrinhas, frases ou parágrafos sobre a casa da vovó. Todos nós precisamos De um lugar para morar. Não importa se o lugar é Uma casa grande Ou uma casinha pequena. O importante é que A gente se sinta Protegido, confortável E contente em casa. Sonia era uma menina feliz... Tinha um lar. Era muito bonito o lugar onde morava. Ficava um pouco longe da cidade. E por ficar distante, era amplo. Sua casa era grande, tinha jardim e quintal, um quarto só para ela. Seu irmão dormia no outro (...) SILVEIRA, Lúcia Mello da. A menina e a natureza e outras histórias. Rio de Janeiro: Eldorado. 199?. Leitura e interpretação Secretaria de Estado da Educação do Paraná / Departamento de Ensino Fundamental Para esta atividade, pesquise e recorte uma planta baixa de uma casa ou apartamento e analise as divisões: sala, cozinha, banheiro, quartos, etc, e responda as questões abaixo. a) Quais as semelhanças com a sua casa? ................... b) A planta da casa recortada e a da sua casa são diferentes. Por quê? ..... b) Quem construiu a sua casa? .... d) Quais pessoas podem comprar uma casa igual à da planta analisada na sala de aula? .... e) O que as pessoas podem fazer na cozinha? ... f) O que as pessoas podem fazer na sala? ..... 6) Converse com os alunos sobre os diferentes hábitos. Tendo como ponto de partida a afirmativa abaixo, alguns alunos poderão relatar como são os hábitos na sua casa. Para algumas famílias conversar e ver TV é na sala, comer é na cozinha, dormir é no quarto. Para outras, a cozinha serve tanto para comer, como para conversar e ver TV. A sala pode servir para dormir, se não houver quartos suficientes. ......... 7) Professor, solicite, ainda, aos alunos que escrevam o seu endereço completo. ENDEREÇO _______________________________________ COMPLEMENTO ___________________________________ BAIRRO _________________________________________ CIDADE _______________ESTADO ___________________ CEP ____________________________________________ A casa Era uma casa muito engraçada não tinha teto não tinha nada ninguém podia entrar nela não porque na casa não tinha chão ninguém podia dormir na rede porque na casa não tinha parede ninguém podia fazer pipi porque penico não tinha ali mas era feita com muito esmero na rua dos bobos número zero. MORAES, Vinícius de. Arca de Noé poemas infantis. São Paulo: José Olímpio, 1986. p.41. Neste poema, o autor descreve uma casa engraçada e conta não o que a casa é, e o que ela tem, mas o que ela não é, e o que ela não tem. É um poema muito conhecido que virou música. Leitura e interpretação 1) Essa casa existe? Você pode desenhá-la, como fez com a sua casa? Explique a sua resposta. .... 2) Pense em uma casa real. Visualize todos os detalhes da parte externa da sua casa. Escreva sobre ela, colocando todas as características: tamanho, cor, janelas, portas e portões, telhado, e outros detalhes que julgar importantes. Dê um título ao seu texto. .... Leitura e interpretação ESSA CASA É DE CACO, QUEM MORA NELA É O MACACO. ESSA CASA É TÃO BONITA, QUEM MORA NELA É A CABRITA. ESSA CASA É DE CIMENTO, QUEM MORA NELA É O JUMENTO. ESSA CASA DE TELHA, QUEM MORA NELA É A ABELHA. ESSA CASA DE LATA, QUEM MORA NELA É A BARATA. ESSA CASA É ELEGANTE, QUEM MORA NELA É O ELEFANTE. E DESCOBRI, DE REPENTE, QUE NÃO FALEI EM CASA DE CASA DE GENTE. ELIAS, José. A Casa e seu dono. Lua do Brejo. [SNT] Reflexão sobre a língua Podemos dizer que nosso planeta é como uma imensa casa que abriga uma grande família. Tudo o que acontece no Planeta Terra acaba interferindo na vida das pessoas que nele habitam. Buscando entender como acontece o relacionamento entre homem e a natureza, alguns cientistas criaram, em 1869, uma nova ciência. Essa ciência recebeu o nome de ecologia que, em grego, significa estudo da casa. A ecologia faz parte da biologia que estuda as relações entre os seres vivos, habitantes do Planeta Terra, nossa casa, e o meio ambiente. Compreensão do texto a) Por que é preciso cuidar do planeta Terra com carinho e cuidado? ... b) Por que o mundo é como se fosse uma grande casa? ... c) Somente os ecologistas devem cuidar da saúde do nosso planeta? ... d) Quem são os ecologistas? ... 2) Em nossa casa ou em outros lugares que freqüentamos, como podemos contribuir para combater as agressões ao meio ambiente e manter o equilíbrio da natureza e a qualidade da nossa vida (cuidados com relação à coleta seletiva de lixo, uso consciente da água e da energia, preservação da natureza, etc)? ... ...Produção de texto individual ou coletiva sobre a importância do cuidado com o meio ambiente. 1) Substitua a expressão utilizada para comparar o planeta Terra com a casa de uma família por outra expressão que mantém o mesmo sentido da expressão destacada. O nosso planeta é como uma imensa casa que abriga uma grande família. ... 2) Como acontece o relacionamento entre homem e natureza, quando há a idéia do Planeta como nossa casa? ... 3) De que forma você pode contribuir para que o Planeta Terra continue sendo a casa dos homens, bichos e das plantas? ... Habitação hoje e ontem Você já pensou onde e como as pessoas moravam antigamente? Os primeiros seres humanos não moravam num lugar só, eles se deslocavam de um lugar a outro para coletar frutos, caçar e pescar. Faziam seus abrigos no chão ou nas árvores apenas para passar a noite. Localize com os alunos as palavras que formam a rede coesiva a partir de “as pessoas”. Nesta atividade, é necessário localizar com os alunos os termos e/ou expressões utilizados para substituir “pessoas”. Vale dizer ainda que esse é um recurso lingüístico utilizado para evitar repetições no texto, bem como para dar continuidade ao desenvolvimento das idéias. Discuta com as crianças que expressões, no primeiro parágrafo, evidenciam a passagem do tempo. As primeiras casas foram as grutas ou cavernas que encontravam abandonadas pelos animais. O deslocamento se repetia com freqüência porque precisavam procurar mais caça e alimentos para sua sobrevivência. Quando passaram a criar animais, ficavam um tempo bem maior no mesmo lugar. Foi então que eles começaram a construir suas moradias. No decorrer dos anos, outras formas de construções foram aparecendo de acordo com as necessidades e possibilidades de materiais existentes. SOUZA, Oralda A Leitura e interpretação 1) Após ler o texto, explique com as suas palavras como viviam os primeiros seres humanos, como eram as suas casas e por que eram de tal maneira. ... 2) O que determinou que essas pessoas mudassem a sua forma de viver? O que mais você conhece sobre os homens primitivos? ... Tipos de casas Os tipos de casas variam de acordo com o clima e o ambiente onde são construídas. Desde que surgiu, o homem sentiu necessidade de se abrigar do sol, das chuvas, do vento, da neve e dos animais ferozes. O homem primitivo se abrigava nas cavernas, dentro das montanhas. Ali ele se refugiava e se encontrava em segurança contra os perigos. Os índios moram nas florestas e matas. Suas casas são construídas de madeira e sapé e são chamadas ocas. Existem outros tipos de casas, como iglus, que são as casas das regiões geladas, e as palafitas, que são construídas em cima de lagos ou rios. Os materiais que o homem utiliza para a construção de suas casas são madeira, tijolos, barro, pedra, sapé, cimento, areia, ferro, etc. A casa é de grande importância para o homem, pois é onde ele vive em segurança com sua família. BATITUCI, Graça, GONZALEZ, Conceição. Maneira lúdica de ensinar. São Paulo: Fapi, 1.ed. Reflexão sobre a língua 1) Releia o texto “Tipos de casas” e responda a que palavras se referem os termos grifados: a) Ali ele se refugiava... ... b) Suas casas são construídas de madeira e sapé... ... 2) Reescreva as frases abaixo, substituindo as palavras destacadas por sinônimos: a) Desde que surgiu, o homem sentiu necessidade de se abrigar do sol, da chuva, do vento, ... ... b) O homem primitivo se abrigava nas cavernas, dentro das montanhas. ... Ter uma casa para morar e viver com conforto é um direito de todo ser humano. As pessoas precisam de uma moradia, por isso fazem suas construções ocupando um lugar, um espaço no terreno. Nem todos vivem em casas confortáveis ou bem construídas. Muitas pessoas não têm uma casa para morar; moram nas ruas, embaixo de pontes e viadutos ou vivem perambulando. Nas cidades há necessidades de hospitais para cuidar de saúde; escolas para estudar, fazer pesquisa e ler. Quem vive nas grandes cidades, incapazes de produzir alimentos para seu consumo, precisam comprá-los em supermercados. Os shoppings são lugares onde os moradores buscam se divertir, assistir a filmes, fazer compras, etc. Também há espaços para apresentação de espetáculos de teatro, de música, de dança, visitas a exposições e outros eventos que estão à disposição das pessoas nas cidades. Leitura e interpretação 1) Na sua cidade ou bairro existe um lugar de encontro das pessoas? Como é esse lugar? ... 2) Na sua cidade ou bairro, é possível encontrar áreas verdes, como parques, jardins, praças? Essas áreas são bem cuidadas? ... 3) Sua moradia (casa) está construída em uma rua, praça, avenida, travessa, quadra? Qual é o nome desse lugar? ... Toda cidade, bairro tem um lugar onde as pessoas costumam se reunir: uma praça, um parque, uma avenida, um clube, um centro comunitário, uma sorveteria, uma lanchonete, etc. Organize um pequeno texto, contando o que existe no bairro ou na cidade, onde você mora, para as pessoas se divertirem, ou ainda, estudarem, fazerem compras ou outras atividades. ... Grandes cidades Geralmente, o crescimento das cidades acaba originando uma série de problemas sociais e ambientais. A habitação é um dos graves problemas sociais existentes em todas as grandes cidades. As moradias das áreas centrais são bem mais caras, por isso não podem ser compradas pela maioria da população. Por essa razão, as pessoas que têm menos recursos se instalam, geralmente, nas margens de córregos, na periferia das cidades, nas favelas ou nos cortiços. Como os grandes centros urbanos estão continuamente crescendo, o valor dos imóveis também vai aumentando. Isso faz com que a população de menos recursos vá se afastando mais da região central. Equipe de Língua Portuguesa Olho mágico A casa Não tem asas, Mas a janela tem. É lírica A janela, Que a poesia revela, Mostrando o cata-vento da distância, Flor amarela. É trágica, Mostrando As agonias da favela. Quando nela me afundo, Eu penso que a janela É o olho mágico Do mundo. DINORAH, Maria. Cantiga de estrela. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1999. 1) Quantas estrofes e quantos versos tem o poema? ... Retire do poema todas as palavras que rimam com janela. ... 2) Segundo o poema, por que a janela tem asas? O que se pode ver através dela? ... 3) E da sua janela, o que é possível ver? Essa vista lhe agrada? Por quê? Você a considera lírica ou trágica? Comente a sua resposta. ... 4) Explique com as suas palavras por que, segundo a autora do texto, em alguns momentos a janela é lírica e em outros é trágica. ... 5) Você concorda com a autora quando diz que “a janela é o olho mágico do mundo”? Justifique a sua resposta. ... Leitura e interpretação 1) Após a leitura do texto, diga qual é a finalidade desse texto e qual é o seu assunto principal. ... 2) Que diferenças você percebe na linguagem utilizada no texto “Olho mágico”. Há presença de linguagem figurada? ... 3) Conte com as suas palavras, em apenas um parágrafo, os principais problemas abordados no texto. ... 4) Na sua comunidade existem problemas sociais e ambientais? Quais? Na sua opinião, eles podem ser resolvidos? Como? ... 5) Em grupos, discuta com os seus colegas se é possível resolver ou reduzir esses problemas. O grupo deverá fazer por escrito as propostas que tem para minorar ou resolver os problemas. ... História de uma criança sem terra Era uma casa muito engraçada Era de lona e não de tábua Esta casinha chama barraco Quem mora nela é quem não tem terra. Quem tem uma casa no assentamento Morou primeiro no acampamento Hoje tem horta pro seu sustento Porque produz o seu alimento. Eu sou criança e quero escola Nela aprender e brincar de bola Sou Sem Terrinha já sei lutar Quero o direito de estudar Na minha escola vou aprender A contar as histórias do meu povo Semear as sementes do amanhã E também colher Eu sou colona, eu sou criança Tenho orgulho e esperança Que todo mundo tenha saúde Cuide da vida e da natureza Cuidar da vida e cuidar da terra Porque a terra é nossa riqueza... 1) Leitura silenciosa do texto. 2) Comparação do texto com a música de Vinícius de Moraes que originou a paródia “História de uma criança sem terra.” ... A casa de meu avô Na casa de meu avô Além do jardim florido Plantado pelo seu Júlio Além de ter um cachorro Dengoso mas furioso Das conversas lá no quarto Do tio Nená que é tantã Do piano da vovó Tocando misterioso De tantos livros bonitos Da comida da Geralda Na casa do meu avô Ou melhor, na casa ao lado Mora uma certa pessoa Que se chama Isildinha. Ah como é boa essa vida Na casa do meu avô! Bem melhor do que sorvete Mais gostoso que bombom Que refresco, chocolate Bolo, bala, caramelo. Ah como é doce essa vida Na casa do meu avô AZEVEDO, Ricardo. A casa de meu avô. São Paulo: Ática, 1998. Leitura e interpretação 1) Quantos versos e quantas estrofes possui o poema? ... 2) Releia o poema e faça uma lista das coisas que existem na casa do avô. ... 3) Por que o autor do texto diz que é muito doce a vida na casa do seu avô? ... 4) E você, como vê a casa de seu avô? Ela lhe agrada? Por quê? ... 5) Observe como o poeta compara a casa do seu avô: “Ah como é boa essa vida Na casa do meu avô! Bem melhor do que sorvete Mais gostoso que bombom Que refresco, chocolate Bolo, bala, caramelo. Ah como é doce essa vida Na casa do meu avô!” E você, como faria a comparação? Reescreva a estrofe, acrescentando outros comparativos. ...

sábado, 12 de março de 2011

TEXTOS POÉTICOS

CRIAÇÃO POÉTICA: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O TEXTO POÉTICO* Marcel Franco (Letras/UEPA) 1. POEMA VERSUS POESIA É bom destacar a diferença entre poema e poesia. Apesar de serem tratadas por muitos como sinônimos, o uso dos dois termos entre os estudiosos apresenta diferenças, a saber: 1.1 Poesia: Caráter do que emociona, toca a sensibilidade. Sugerir emoções por meio de uma linguagem. (FERREIRA, 1993) 1.2 Poema: Obra em verso em que há poesia. Se o poema é um objeto empírico e se a poesia é uma substância imaterial, é que o primeiro tem uma existência concreta e a segunda não. Ou seja: o poema, depois de criado, existe per si, em si mesmo, ao alcance de qualquer leitor, mas a poesia só existe em outro ser: primariamente, naqueles onde ela se encrava e se manifesta de modo originário, oferecendo-se à percepção objetiva de qualquer indivíduo; secundariamente, no espírito do indivíduo que a capta desses seres e tenta (ou não) objetivá-la num poema; terciariamente, no próprio poema resultante desse trabalho objetivador do indivíduo-poeta. (LYRA, 1986) O poema destaca-se imediatamente pelo modo como se dispõe na página. Cada verso tem um ritmo específico e ocupa uma linha. O conjunto de versos forma uma estrofe e a rima pode surgir no interior dessa estrofe. A organização do poema em versos pode ser considerada o traço distintivo mais claro entre o poema e a prosa (que é escrita em linhas contínuas, ininterruptas). No Cruz e Sousa das obras iniciais, há esse poema, considerado um marco do Simbolismo no Brasil, no qual o autor se vale das figuras de linguagens (aliteração, sinestesia), que revela, então o uso da poesia, tão eloqüente no quarteto: Vozes veladas, veludosas vozes, volúpias dos violões, vozes veladas, vagam nos velhos vórtices velozes dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas. 2. TIPOS DE POEMAS Os poetas têm escrito poemas de vários tipos. Dois deles, entretanto, são considerados os principais: o poema lírico e o poema narrativo. Alguns críticos e ensaístas acrescentam, como um terceiro tipo, o poema dramático. 2.1 Poema lírico: É geralmente curto. Muitos carregam grande musicalidade: ritmo e rima às vezes os fazem parecer canções. No poema lírico o autor expressa sua reação pessoal ante as coisas que vê, ouve, pensa e sente. Alguns teóricos incluem nesse tipo de poesia o poema satírico. Para conhecer os vários tipos de poesia lírica, veja BALADA; CANÇÃO; ELEGIA; HINO; IDÍLIO; ODE; SONETO. 2.2 Poema narrativo: Conta uma história e geralmente é mais extenso que os outros. O poeta apresenta os ambientes, os personagens e os acontecimentos e lhes dá uma significação. Um exemplo de poema narrativo é Os Lusíadas, de Luís de Camões. As epopéias e as baladas estão entre os principais tipos de poesia narrativa. Costumamos pensar que as fábulas são trabalhos em prosa, mas muitas delas foram escritas originariamente como poemas narrativos. Para maiores informações sobre essas formas poéticas, veja: BALADA; EPOPÉIA; FÁBULA. 2.3 Poema dramático: Assemelha-se ao poema narrativo porque também conta uma história e é relativamente longo. Mas, no poema dramático, essa história é contada através das falas dos personagens. As peças de teatro escritas em verso constituem forma de poesia dramática. Em sentido amplo, também pode ser considerado um exemplo o "Caso do Vestido", de Carlos Drumonnd de Andrade. Através de uma suposta conversa entre mãe e filhas, o leitor acompanha uma história de amor e traição e tem os elementos para reconstituir o caráter e os sentimentos dos personagens principais. 3. AS TRÊS GRANDES VERTENTES DA CRIAÇÃO POÉTICA Deve-se ter em mente é que o aspecto fundamental da criação poética está relacionado à antologia de toda obra literária, que é uma obra de arte assentada na representação de uma realidade, seja de natureza interior ou exterior. Entretanto, a forma com é feita essa representação ou o próprio ato criativo tem sido teorizado sob enfoques diferentes e que podem ser alinhadas em três grandes vertentes: 3.1 Teoria Mimética: da Antiguidade até a 1ª metade do século XVIII; 3.2 Teoria Expressiva: da 2ª metade do século XVIII até o século XIX; 3.3 Teoria Intelectualista: do século XIX ao século XX. TEORIA MIMÉTICA: “Um espelho para a natureza” Para Platão a palavra “mimesis” e as múltiplas gradações de sentido configuram, no livro X da “República”, como um ato de divertimento em que se reproduz a aparência e não a verdade profunda dos seres e das coisas. Para ele o pintor, o escultor e o poeta estão afastados de 3 degraus da verdade e qualquer um deles é o terceiro poietes, pos: 1º: Deus: que cria a ideia 2º: Artífice: que fabrica um objeto segundo essa ideia 3º: Artista: que representa esse objeto ----------→; poietes Segundo Aristóteles, em “Poética”, na gênese da poética, encontra-se a tendência da imitação, fato congênita nos homens. Para ele, arte é mimeses, no entanto, cada arte dispõe, para imitar, de meios, objetos e maneiras que lhe são peculiares. TEORIA EXPRESSIVA: “Revelação do interior do poeta” A partir da segunda metade do século 18 a teoria mimética entra em declínio, quando é negado o caráter imitativo de todas as artes. Isso se deve ao Lord Henry James na obra “Elements of Cristicis” (1762) que subdividiu as artes em imitativas por naturezas (pintura e escultura), não imitativas (música e arquitetura) e de condição híbrida (poesia, quando a linguagem poética imita som e movimento, como o teatro). Nesse momento literário, eleva-se a personalidade do artista no ato criador e, com isso, a atenção desloca-se do objeto (obra de arte) para o sujeito que cria (poeta). O ideário poético deixa de se constituir na imitação da natureza para transforma-se na expressão dos sentimentos, dos desejos, das aspirações do poeta. Na teoria expressiva o poema deixa de ser reflexo do real objetivo para tornar-se uma revelação da interioridade do poeta, isto é, não é mais um espelho da natureza, mas uma segunda natureza. É nesse período de “Sturn und Drang” (“tempestade e ímpeto”) que se revela o poeta possesso, inspirado, vidente, aquele que conhece o lado oculto das coisas e dos seres, que desposa o mistério, penetra no absoluto e reinventa a realidade e o ato criador defini-se pela sua liberdade e pela sua rebeldia perante os modelos da realidade diante da qual o escritor é soberano. TEORIA INTELECTUALISTA: “O reflexo da inteligência e fruto do trabalho” O poeta é um fingidor Finge tão completamente Que chega a fingir Que é dor A dor que deveras sente O fingimento poético de Fernando Pessoa, que se contrapõe ao confessionalismo dos românticos e, em suma, é a essência da teoria intelectualista, que almeja explicar o ato criador. Nesse momento o poeta recusa o que pode degradar a consciência, dizendo que “O entusiasmo não é um estado da alma do escritor [...] Escrever deve se construir, a mais sólida e exatamente que se possa, essa máquina de linguagem.” Carlos Drummond, João Cabral, Andre Gide, T. S. Eliot exprimem esta poética da lucidez e do difícil rigor em muitos dos seus poemas, por meio da concepção intelectualista do ato criador. Notadamente, o poeta deste período, nominado, então, de artífice, é um arquiteto do poema e sua inspiração é movida muito pela objetividade, pelos problemas sociais, existenciais do homem e do meio em que vive. 4. REFERÊNCIAS AUERBACH, Eric. Mimeses. São Paulo: Perspectiva, 1976 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Minidicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. LYRA, Pedro. Conceito de Poesia. São Paulo: Ática, 1986. SILVA, Vitor Manuel Aguiar e. Teoria Literária. 2. Ed. Coimbra: Almedina, 1968

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

TEXTUALIDADE

TEXTUALIDADE Conjunto de fatores que fazem com que um texto seja um texto e não um amontoado de frases. • Coerência e coesão • Intencionalidade • Aceitabilidade • Situacionalidade • Informatividade • intertextualidade

ELEMENTOS PARA UMA BOA REDAÇÃO

ELEMENTOS PARA UMA BOA REDAÇÃO Letra – de cursiva ou de fôrma – fazer a diferenciação entre a minúscula e a maiúscula Título – ele convida de modo perspicaz o leitor para conhecer a matéria redigida, deve ser sóbrio, objetivo, adiantar algum ponto significativo do texto. * Em um concurso fica ao seu gosto empregá-lo ou não, você perde apenas um grande aliado na composição da objetividade do assunto a ser apresentado. * Não grife ou destaque um título. Estética • Observe as margens • Não cole sua escrita à margem esquerda • Não fique ziguezagueando na margem direita. Procure ir até o fim da linha, respeitando a divisão silábica quando preciso. Estrutura • Tese (introdução) • Argumentação (desenvolvimento) • Conclusão ( ratificação das ideias da introdução ou uma síntese do texto) EVITE • Frases românticas ou idealistas • Oferta de soluções mágicas • Não finalize com perguntas

COESÃO

COESÃO A coesão seria a ligação entre os elementos de um texto, que ocorre no interior das frases, entre as próprias frases e entre os vários parágrafos. Pode-se dizer que um texto é coeso quando os conectivos são empregados corretamente. Já a coerência diz respeito à ordenação das ideias, dos argumentos. A coerência depende obviamente da coesão. Um texto com problemas de coesão terá, com certeza, problemas de coerência. SUGESTÃO – consulte a gramática morfológica: conjunções, advérbios, pronomes, locuções. CORREÇÃO GRAMATICAL – Elementos gramaticais exigidos: • Concordância nominal e verbal • Regência nominal e verbal • Crase • Colocação pronominal • Correlação dos tempos verbais • Pontuação • Ortografia